O poder da tecnologia: A EA Sports FC previu o campeão da Copa do Mundo cinco vezes seguidas

Como a probabilidade e a divinação se intersecionam como prática magística

Pela quinta vez consecutiva, uma simulação de videogame realizada no jogo EA Sports FC previu corretamente o campeão do torneio mais assistido do planeta.

Confira os resultados anteriores:

  • 2010: Espanha
  • 2014: Alemanha
  • 2018: França
  • 2022: Argentina;
  • 2026: Espanha.

A maioria das pessoas lê isso e pensa: “que coincidência incrível.” Alguns pensam: “pura sorte.” Outros: “o algoritmo é muito bom.”

Eu penso diferente. Eu acho que isso tem um nome que ninguém usou ainda.

O que o EA Sports FC realmente faz

O sistema da EA Sports não advinha. Ele simula. Consome dados reais de cada jogador — atributos físicos, técnicos, histórico de desempenho, forma atual, estatísticas de cada seleção — e roda o torneio inteiro dentro de um ambiente computacional milhares de vezes.

O campeão que aparece com mais frequência nas simulações é a previsão.

Isso tem um nome técnico: modelagem probabilística por simulação de Monte Carlo. Você define variáveis, alimenta o sistema com dados reais, e deixa ele rodar o futuro em escala.

Funciona porque o futebol, apesar de parecer caótico, tem padrões. Pressão defensiva, posse de bola, eficiência de finalizações, aproveitamento em jogos eliminatórios. Tudo isso é dado. E dados, em volume suficiente, revelam estrutura.

Agora deixa eu te dizer o que os antigos faziam

Antes dos algoritmos, existia a a arte da divinação.

Estou falando aqui de sistemas formais de leitura de padrões — astrologia, geomancia, I Ching — que foram, durante milênios, as ferramentas mais sofisticadas que a humanidade tinha para fazer uma coisa: extrair sinais e projetar futuros prováveis.

O I Ching, por exemplo, é um sistema de 64 hexagramas que mapeiam estados de transição. Você consulta, ele responde com um padrão. A interpretação não é “o futuro é X” — é “dadas as forças em jogo, a trajetória mais provável é X.”

Isso é exatamente o que o EA Sports FC faz.

Com outra tecnologia.

A correspondência que ninguém está vendo

Não estou dizendo que são a mesma coisa. Estou dizendo que resolvem o mesmo problema com a mesma lógica: coletar informação sobre o estado atual do sistema, processar por meio de regras formais, e projetar o estado futuro mais provável.

Cybermagia

Existe um campo de estudo emergente — chamado tecnomancia — que investiga exatamente essas correspondências. Eu chamo de cybermagia: o estudo da interseção entre tecnologia e sistemas mágicos.

A tese central é simples: quando você tem um sistema que processa dados sobre o estado do mundo e projeta futuros prováveis com alta precisão, você tem um oráculo. O fato de ele rodar em servidores em vez de cristais ou cartas não muda sua essência, se feita com intenção.

O EA Sports FC 26 acertou cinco Copas consecutivas. Não porque tem poderes sobrenaturais. Mas porque tem dados suficientes, um modelo suficientemente bom, e uma metodologia que — sem querer — replica a lógica dos sistemas divinatórios mais antigos do mundo.

Isso é cybermagia na prática.

Por que isso importa

Não estou propondo que você substitua análise de dados por astrologia. Estou propondo que você olhe para seus algoritmos de previsão com outros olhos.

Quando um modelo de machine learning acerta cinco vezes consecutivas algo que parecia imprevisível, vale a pena perguntar: o que ele está lendo que nós não estamos vendo? Que padrões estruturais ele capturou que escapam à análise humana?

Essa pergunta — o que o sistema sabe que eu não sei — é a mesma que praticantes de divinação fazem há milênios. A pergunta mudou de forma. A resposta continua a mesma.

Esse assunto é tão intrigante para mim que criei um projeto só para pesquisar sobre isso.

Conheça em primeira mão, o encodere.se — um projeto sobre tecnologia, IA e sistemas de magia. Se isso te intrigou também, acompanhe os próximos capítulos.

E se uma simulação fosse mais do que mera aleatoridade?